24.4.04

Uma questão de ...

Exaspera-me sinceramente o argumento da tanga (desculpem-me a expressão) de tantas beatas que frequentam as igrejas por este país fora de que quem não visita regularmente a Casa do Senhor não é considerado filho Dele...

"E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos homens. Digo-lhes verdadeiramente que eles já receberam a sua plena recompensa.
Mas quando orarem, façam-no nos vossos quartos, fechem a porta e orem a Deus, que está no secreto. Então Deus, que vê no secreto, vos recompensará."


Mateus, capítulo 6, versículos 5 e 6

Quem será que DEUS ouve primeiro? O cristão compenetrado nas suas orações repletas de FÉ feitas na privacidade do seu lar ou o pagão disfarçado de cristão que todas as semanas entra na Sua casa e Lhe dá graças com o coração pleno de ódio e de dúvidas? Se rezamos para que Ele nos ouça não será para Ele indiferente o local onde o fazemos? Não preferirá que ao invés de estarmos presentes todas as semanas na Eucaristia de ouvidos moucos aos seus ensinamentos os pratiquemos diária e incessantemente?

Pregadores, "Vos Estis Sal Terrae"...

Enfim, "Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus"*

* "Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como um inútil, para que seja pisado de todos." (Mateus, capítulo 5, versículo 13)




"One Of Us"

Uma das músicas de Joane Osborne, "One Of Us", trata dessa controversa temática que é a existência de (ou de um) DEUS...

"If you were faced with Him in all His glory
What would you ask if you had just one question..."


Estes dois versos sempre me deixaram intrigada... Não sei se porque seria impossível escolher uma só pergunta de entre tantas coisas que gostaria de saber, se porque simplesmente não conseguiria pronunciar uma só palavra...

23.4.04

Auto-Retrato

Um dos meus poemas favoritos:

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,

Eis Bocage em que luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.


Bocage

Frases Famosas Sobre Sexo... ;)

"As mulheres entregam-se a Deus quando o diabo já não quer nada com elas"
(Sophie Arnould, cantora francesa)

"A castidade é a mais anti-natural de todas as perversões sexuais"
(Aldous Huxley, escritor)

"Podem sentar à vontade"
("O Profeta", Khalil M. Gibran)

"Sexo não é importante... é apenas vital!"
(Fernando Luigi [?])

"Abster-me de sexo? Então para que me serve este corpo tão perfeito?" (?)
(Arnold Schwarzenegger)

"O sexo é uma armadilha da Natureza para que esta não se extinga"
(Nietzsche)

E agora a melhor de todas...

"Praticar sexo anal ajuda a modelar o formato das nádegas"
(Anónimo... Bem, o JCB, ou Sr. dos Anéis, deve ter cá uns glúteos...)

Iris...

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah, you'd bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

22.4.04

Num habia nechechidade!

"Ó meus amigos, num habia nechechidade..."

O casto Diácono Remédios senta-se calmamente em frente ao televisor, rotina que só pratica com o intuito de estar atento às acções demoníacas do comum cristão... e eis que se depara assombrosamente com o novo anúncio publicitário do Axe...

"Num perchebo porque motibo era prechiso colocar aquelas pobres, ez, ez, mochas numa situachão tão deplorábel e ofenchiba para a classe das fémeas, ez, ez... expor os mamilos erectos, ez, ez, daquela forma tão eh, eh, eh, cumo direi, chexy... Abrir atrebidamente a blusa daquela gaj... menina, mostrando os seus melões... melancias... seios...
Mas, ez, ez, o pior é mezmo aquele cabr... ficar com todas, ez, ez, elas, ez, ez, e não doar pelo menoz, uma das cabeças à Santa Igreja ou, para ser maizzz fácil, aqui ao diácono... ez, ez..."

Soneto do Cativo...

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamnete preso!

David Mourão-Ferreira, 1974

A propósito de falta de respeito e estupidez pura...
Houve uma p... qualquer que uma vez disse:

"Vocês deviam era agradecer-nos... fumam de borla..."

Palavras para quê...

Pode ser que um dia quando lhe for diagnosticado um Cancro já em fase de metástase avançada, tenha um aborto espontâneo do primogénito desejado, ou acorde durante a noite e se dê conta de que a cria amada teve morte súbita, esta gaja pense nesta brilhante frase que um dia proferiu...

Simplesmente O2...

Quando esta madrugada me preparava para dormir liguei, como já é hábito, o rádio (é a única forma que encontrei a fim de combater as terríveis insónias de que sou alvo) na minha estação favorita, frequência 93.2 FM, Lisboa. Qual não é o meu espanto quando, à laia de resumo das notícias do dia, o locutor diz que foi decretada a proibição de fumar no Parlamento... Eu quero mais é que os deputados se f.... Por mim podem gerar todos um cancro nos pulmões que não “Tou Nem aí!” (é uma comédia!)...
Aguardo impacientemente é a promulgação da tal lei proposta pelo Ministério da Saúde de ser proibido fumar nos locais de trabalho...
Que me perdoem os fumadores, mas é que nestas coisas do tabagismo sou mesmo intolerante (ou não, porque no fundo intolerantes são vocês que insistem em f.... os meus pulmões e as demais vias respiratórias...)
Honestamente, respeito os viciados em tabaco. São livres de se matar lentamente à vontade. É sabido que todo o ser humano tem tendência para os vícios, uns em droga, outros em sexo, outros ainda em chocolates. Não obstante disso, reservo-me a liberdade de optar por ser não-fumadora (pelo menos activamente). Por isso considero que a vossa liberdade termina ténue, mas exactamente onde começa a minha de não querer fumar...
Fiquei a pensar... Imaginem-se, vocês, fumadores, forçados a estar constantemente no trabalho, nas paragens de autocarro, nos restaurantes!!! a ser atacados por um flatulento convicto... E neste caso tratar-se-ia apenas de uma questão de odor e falta de educação e boas maneiras (visto os gases libertos pelo corpo humano não serem prejudiciais à saúde dos demais)...
Entretanto, envolta nestes meus pensamentos etéreos, veio à tona algo que ouvi nesse programa de culto dessa magnífica estação televisiva, a Sic Radical, MAD TV...


“Smoke 20 cigarettes
Light them up
WE ALL get Cancer
But what the fuck…”



Continuem assim, amantes dos cigarros...

Poetas e poetisas...

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Morais

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Eu tenho idéias e razões,
Conheço a cor dos argumentos
E nunca chego aos corações.

Pessoa

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Morro do que há no mundo:
do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas:
com lembranças amadas,
porém desesperadas.
Morro cheia de assombro
por não sentir em mim
nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência
fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.


Cecília Meireles

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Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu es já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo , meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Florbela Espanca

Rita Lee no seu melhor...

"Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meu Deus quanto tempo eu passei sem saber
Foi quando meu pai me disse: «Filha... você é a ovelha negra da família!»
Agora é hora de você assumir...... e sumir..."

A todos aqueles que, tal como eu, se sentem ovelhas ronhosas (e não "ranhosas"!!!)...

Genialidade...

"Portugal só tem razões para se orgulhar..."
O nosso querido ministro da Defesa orgulha-se com a compra de dois novos submarinos para a Armada portuguesa... Porque não haveria ele de estar orgulhoso? Afinal serão 770 MILHÕES de euros muito bem empregues...
Uma tal cerimónia na Base Naval do Alfeite (também conhecida como pouso de uns tais alunos de cursos superiores...) oficializou a intenção da aquisição...
A única explicação é o nosso caro Portas querer proteger o país do naufrágio evidente...
Entretanto, um outro génio proferiu as seguintes palavras sábias: "A «Operação Apito Dourado» não vai prejudicar a organização do Euro 2004"...

????????????????????

Ora, ou sou eu que estou enganada, ou o Sr. José Luís Arnaut andou no “goró”... ou, como diria uma amiga minha, apanhou uma granda narsa!!! Será que para o "tutor" do desporto a imagem do nosso país é imaculável??? Ninguém diria... Não fossemos nós o antro da pedofilia de luxo (sim, porque não é em qualquer sítio que grandes lordes ficam com o nome manchado por tal escândalo sexual), da decadência de moralidade, de políticas do ambiente que são uma verdadeira mer.. E agora de corrupção futebolística escancarada... Que em nada afectará esse faustoso acontecimento desportivo...
Incontestavelmente...

21.4.04

O meu primeiro comentário ;o)
Ora bem, cá estamos, pela primeira vez. Sempre é verdade que há uma primeira vez para tudo.
É engraçado pensar que outros terão a possibilidade de ler o que penso, mas que se lixe, faz bem à alma.

Começo por prestar uma devida homenagem a esse inigualável professor que tive a honra de conhecer no meu primeiro ano do curso de Jornalismo. Homem de uma inteligência e perspicácia linguística de fazer inveja a qualquer pseudo-jornalista que hoje em dia nos invade a casa através de um canal (se é que merece a nomenclatura) chamado TVI. Sim, porque a quantidade de facadas (e não digo pontapés porque estaria manifestamente a ser condescendente com quem as pratica) que muitos dos profissionais do ramo nos infligem sem qualquer compaixão nem pudor chegam a provocar-me dores físicas. Bem, mas não querendo enveredar por um caminho a ser explorado com mais atenção e afinco lá mais para a frente, quando já me tiver entrosado perfeitamente com esta minha nova experiência de escancarar humildes, contudo, sinceras, opiniões, voltarei à missão a que me propus quando iniciei esta exposição. Esse nobre ser, de seu nome Jorge Trindade, leccionava a cadeira de Língua Portuguesa (não, não se trata de nenhum animal extinto ou no mínimo em vias de, mas sim de um bem precioso que muitos dos nossos compatriotas não se inibem em espicaçar constantemente ou substituir [vergonhosamente] por um qualquer dialecto aprendido mal e porcamente num dos países-destino da emigração portuguesa). E depois damos por nós na rua a presenciar uma daquelas cenas em que uma mãe desesperada tenta (vãmente) controlar a rebelião da sua pobre criança: “Jean, mon cher, vien ici!” (não esquecendo que esta frase seria aquilo que correctamente seria escrito, mas que se fosse a nossa emigrante a escrever sairia uma coisa do género “Jian, mõ chere, vian içi!”). Qual não é o nosso espanto quando a pressuposta nova-rica se descabela de vez e perde a pose: “João, car...., anda cá, meu filho da p...!”.
Foi graças a esse meu mentor que desfolhei pela primeira vez a obra “Uma História da Leitura”, de Alberto Manguel. Pena que o intuito de tal leitura seria uma enfadada recensão que teria de ser entregue invariavelmente até ao final do semestre. Agora, muito tempo depois de o ter lido, volto a dedicar-me a alguns excertos cujo verdadeiro sentido curiosamente me tinha passado ao lado. Transcrevo agora um que considero primoroso:


«Lors que souef plus il me baiserait,
Et mon esprit sur ses lèvres fuirait,
Bien je mourrais, plus que vivant, heureuse.»


[Quando ele suavemente me beijava mais,
e o meu espírito sobre seus lábios fugia,
Eu bem morria, mais feliz do que vivia.]

Lindo, não? Este é o final do XIII soneto de Louise Labé, uma poetisa de Lyon. Não desfazendo do seu talento, prefiro a tradução feita maravilhosamente bem por outro escritor, Rainer Rilke, de origem alemã. Senão vejam:


«Er kübte mich, es mundete mein Geist
auf seine Lippen; und der Tod war sicher
noch süber als das dasein, seliglicher.»



[Ele beijou-me, a minha alma transformou-se
Com seus lábios; e a morte era certamente
Mais doce do que a vida, mais abençoada ainda.]

..........

Ai, ai...