25.4.08

A Guerra do DIVÓRCIO...

Acabou o AMOR, acabou o Casamento, acaba a convivência pacífica... Nesta guerra de “dá e leva” os filhos são a “carta na manga” para atingir o outro. É triste! Percebemos de forma cada vez mais clara que as pessoas só revelam as suas “true colours” num momento como este: o DIVÓRCIO. Há uns dias ouvi um comentário de uma advogada a propósito da nova Lei de Poder Paternal Conjunto: “quanto maior é o amor, maior o ódio na hora do divórcio.” Será??? A verdade é que é este “ódio” que faz sucumbir todo e qualquer discernimento no que concerne o bem-estar dos filhos. A ausência de respeito pelo ex-cônjuge pode ser a melhor forma de fazer da vida do ex um verdadeiro inferno, mas os danos colaterais desta batalha constante são bem mais graves...
Na grande maioria dos casos há um elo mais forte que usa de toda a manipulação para conseguir o que quer do outro, fazendo ameaças e privando-o da companhia dos filhos... Lamentável... Quem não tem a faca e o queijo na mão vê-se obrigada(o) a ceder aos caprichos de alguém mesquinho e que só prova não amar assim tanto as suas crianças...
Nada de parcialidade. Tanto acontece ser o Pai o “mau da fita” como a Mãe. Não interessa se é homem ou mulher, a mágoa pode revelar o que de pior as pessoas têm dentro de si...
Para todos aqueles que não colocam os filhos em PRIMEIRO LUGAR.

Children See. Children Do.

18.4.08

Tempos Modernos... Mulheres Modernas...


“A solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido neste período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do nosso próprio egoísmo...”

(Soseki Natsume - Pobre Coração dos Homens)



Este mesmo tempo moderno também impõe à mulher não estar sozinha, não ser “encalhada”... As mulheres que optam por não ter ninguém a seu lado, ou que, por infortúnio (lol), são deixadas ao abandono, não conseguem escapar ao estigma da desquitada, da mal-amada, da solteirona, da que fica para “tia”... Até as próprias amigas demonstram a sua pena quando aquela amiga solteira, que nem um PSO[1] tem para lhe aquecer a cama, resolve passar o fim de ano com mais duas amigas nas mesmas circunstâncias...
O que será preferível? Um reveillon com amigas solteiras recheado de boa comida, bebida e música para exercitar o esqueleto, ou outro com a companhia do namorado, quase marido, que acaba por ressonar às 23:30 e nem brinda connosco ao Novo Ano???
Discutível... Possivelmente a solteira preferiria ter uma companhia; a quase casada daria um rim para estar na festa com as amigas...
É esta a nossa natureza, basicamente... Falo com experiência, já vivi as duas...
Quando não estamos preparados para entrar de cabeça (corpo e alma...) num relacionamento, o melhor mesmo é aproveitarmos a solidão, império da consciência, e nos conhecermos... Este é um grande passo para a descoberta do outro. Enquanto o nosso Ego for um desconhecido para nós próprios correremos sempre um enorme risco de naufragar... Não que tenhamos de nos privar dos tombos, pelo contrário, mas é necessário se conhecer para se poder dar a conhecer.
No fundo, no fundo, todos nós procuramos uma testemunha para a nossa vida: alguém com quem partilhar as vitórias, alguém que acompanhe os nossos fracassos, alguém que, mesmo não tendo a capacidade de evitar os nossos tropeções, nos ajude pelo menos a levantar depois da queda...
A fé em encontrar correspondência a esta nossa busca, mantém-se infrangível, ainda que todos nos considerem ingénuas, demasiado românticas, ou até mesmo imbecis...



“É-nos possível viver sozinhos, desde que seja à espera de alguém...”
(Gilbert Cesbron)



[1] PSO: Prestador de Sexo Ocasional (sigla brilhantemente inventada por uma amiga)

17.4.08

Acto Pendente...


A minha vida está pendente... O amor por viver, as decisões por tomar, a paz por alcançar... Tudo se passa nos “entretantos” de algo que está por vir... A espera é simultaneamente o desenrolar da peça cheia de drama e o ensaio para o verdadeiro espectáculo. A actriz principal anseia por finalmente pôr em prática o seu talento: as lágrimas, as gargalhadas, as expressões de contentamento e paixão. Enquanto isso vive o vazio dos bastidores sem contracena, num monólogo longo e fastio...
O encenador parece brincar com as personagens e com o enredo, dando reviravoltas estrondosas e criando situações tragicamente coincidentes... Até parece gozar, divertir-se com o caricato dos acontecimentos...
E eu lá vou sendo levada, arrastada para um turbilhão de didascálias sem piada, sem emoção... Todas elas se resumem a um bando de indicações sem rumo, sem nexo, sem valor...
O dia da estreia chega finalmente! As personagens estão prontas, o cenário perfeito, a plateia ansiosa e atenta... Depressa os aplausos se atropelam e o pano cai... Afinal aquele ensaio nada mais era que a verdadeira Peça: com sorrisos, lágrimas, abraços, tropeções... Os actores exaustos, a protagonista desgostosa, o cenário podre... A Peça acabara sem darem por ela... Os actos sucederam-se entre tempestades e dias radiosos... Ficam na lembrança os ensaios partilhados entre os actores, a regência do encenador louco, mas justo...